Procuradoria denuncia ex-presidente Alan García no caso Odebrecht

Ex-ministro de Transportes e Comunicações e ex-diretor da Autoridade Autônoma de Trem Elétrico de Lima também foram denunciados.

A Procuradoria “ad hoc” (destinado somente a esse caso) para as investigações sobre os subornos da empresa brasileira Odebrecht denunciou nesta segunda-feira (6) o ex-presidente peruano Alan García pelo suposto crime contra a administração pública na execução da Linha 1 do Metrô de Lima.

A Odebrecht, que atua no Peru há quase quatro décadas em obras de infraestrutura, energia, irrigação e indústria, está sendo investigada em um grande escândalo de corrupção que envolve os três últimos governos do país.

Em entrevista coletiva, a procuradora Katherine Ampuero informou que a denúncia inclui também o ex-ministro de Transportes e Comunicações durante o segundo governo de García (2006-2011), Enrique Cornejo, e o ex-diretor executivo da Autoridade Autônoma de Trem Elétrico de Lima (AATE), Oswaldo Duber Plasencia Contreras.

Os primeiros detidos pelos subornos da Odebrecht no Peru foram precisamente o vice-ministro de Comunicações Jorge Cuba e outros dois ex-funcionários pela suposta recepção de US$ 2 milhões para a execução da Linha 1 do metrô.

A Odebrecht admitiu perante a Justiça dos Estados Unidos que entregou US$ 29 milhões entre 2005 e 2014 no Peru para vencer a licitação para obras públicas, em um período que compreende os governos de Alejandro Toledo (2001-2006), Alan García (2006-2011) e Ollanta Humala (2011-2016).

Na última década, a construtora brasileira conquistou contratos de 12 bilhões de dólares no Peru. A construtora confessou a prática de suborno em 12 países da América Latina.

Empresa fora do país

Neste domingo, o presidente peruano Pedro Pablo Kuczynski declarou à imprensa local que a Odebrecht pode ter que deixar todas as obras que tem no país andino em no máximo seis meses.

“É um tema complexo porque é uma empresa muito grande que tem várias obras em andamento no Peru e, obviamente, o que deve haver é uma saída gradual”, disse Kuczynski ao jornal La República. “Estamos vendo como eles podem sair sem prejudicar os projetos”, acrescentou.

Questionado sobre quanto tempo a saída da maior construtura latino-americana poderia demorar, a fim de deixar todas as obras no país, o presidente disse que “seis meses, talvez menos”.

Kuczynski, um ex-banqueiro que assumiu a Presidência no ano passado, já havia manifestado anteriormente seu desejo de que a empresa brasileira deixasse o Peru e que devolvesse o dinheiro pago em subornos para ganhar obras públicas.

g1

06/03/2017

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