Polícia prende integrantes da máfia chinesa em SP por suspeita de assassinato, sequestro e extorsão

20 chineses são suspeitos de cometer crimes contra mais de cem compatriotas no estado de São Paulo. Ao menos 8 estrangeiros foram presos na manhã desta quarta.

A Polícia Civil de São Paulo prendeu ao menos oito chineses na manhã desta quarta-feira (8) por suspeita de integrarem a máfia chinesa que age no estado cometendo crimes contra seus compatriotas. Imagens obtidas pelo G1 e pela TV Globo mostram as armas apreendidas na ação.

“Ao todo, 20 chineses são procurados para serem presos”, disse à reportagem a delegada Elisabete Sato, diretora do Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP).

Segundo Elisabete, as prisões foram decretadas pela Justiça a pedido do DHPP, que investiga a ação de duas quadrilhas vindas da China. Elas são suspeitas de cometer assassinatos, sequestros e extorsões contra chineses que trabalham no comércio popular em São Paulo.

“A investigação começou a levantar que vinham executores chineses que entraram no Brasil pelo Paraguai, pela Argentina”, disse a delegada. “As vítimas são chineses que compravam mercadorias de outros chineses e trabalhavam principalmente na região da Rua 25 de Março, no centro da capital”.

De acordo com a diretora, policiais estão nas ruas para tentar cumprir mandados de prisão temporária e de busca e apreensão na cidade de São Paulo e em cidades do litoral paulista. “São 20 mandados de prisão e 33 de busca e apreensão”, falou Elisabete.

O DHPP identificou os suspeitos dos crimes após investigar homicídios, sequestros e extorsões cometidos por chineses contra compatriotas, nos últmos anos no estado. “Identificamos cerca de dez vítimas, mas acreditamos que a máfia fez mais de cem vítimas”, falou a delegada.

2015

A ação da máfia chinesa em São Paulo não é novidade. Em 2015, o G1 publicou matéria sobre a prisão de quatro chineses suspeitos de integrar a máfia. Eles foram detidos em flagrante por sequestrar uma chinesa. A refém foi libertada. Essa ação foi filmada pelo helicóptero da Polícia Militar (PM) (veja vídeo acima).

À época. a reportagem teve acesso aos depoimentos das vítimas que denunciaram os crimes cometidos por chineses às autoridades. O perfil delas é sempre o mesmo: comerciantes vindos da China ou parentes. Os sequestradores são imigrantes membros das tríades – como é conhecida a máfia chinesa em alusão ao símbolo em forma de triângulo adotado.

Os mafiosos cobram taxas de proteção dos empresários que trabalham no Centro de São Paulo. Alguns chegam a pagar de R$ 1 mil a R$ 10 mil para garantir que sua família não seja agredida, sequestrada ou morta.

De acordo com policiais e representantes do Ministério Público (MP), os grupos criminosos chineses mais atuantes em solo paulista são da Sun Yen On, de Cantão, e Fu Chin, de Xangai.

Mas o número de vítimas dos mafiosos chineses pode ser maior, porque muitas têm receio de prestar queixa na polícia, com medo de represálias por parte dos criminosos. Dificuldade em compreender a língua portuguesa e condição irregular no Brasil seriam outros motivos para os chineses desistirem de pedir ajudar.

Alguns crimes cometidos pelos mafiosos chineses têm requintes de crueldade: as vítimas foram degoladas, baleadas na nuca, sofreram golpes de artes marciais ou foram agredidas com objetos.

Os mafiosos ajudavam chineses a vir ilegalmente para trabalhar no Brasil pela fronteira com o Paraguai, com visto de turista, e depois passavam a cobrar por isso.

2016

No ano passado, o G1 também havia publicado reportagem sobre produtos piratas vendidos em São Paulo. Alguns deles obtidos por meio de contatos com a máfia chinesa. A informação integrava um relatório de um escritório francês de investigação.

g1

08/03/2017

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