Justiça aceita denúncia e gerente de bar vira réu por estupro e homicídio de feminista em SP

Willy Liger confessou ter assassinado Debora Melo com golpes de taco de beisebol na cabeça em dezembro de 2016. Ele está preso em Guarulhos.

A Justiça de São Paulo aceitou a denúncia do Ministério Público (MP) contra o gerente acusado de estuprar e assassinar uma feminista com um taco de beisebol no bar onde ele trabalhava no fim de 2016. Com isso, Willy Gorayeb Liger, de 27 anos, se tornou réu no processo pelo qual responde por estupro e homicídio qualificado de Debora Soriano de Melo, de 23.

O crime ocorreu em 14 de dezembro de 2016 no bar “Sr. Boteco”, na Mooca, Zona Leste da capital. Além de gerente, o acusado é primo do proprietário do estabelecimento comercial. A Justiça aceitou a denúncia do MP no último dia 2.

Em sua decisão, a juíza Marcela Raia de Sant´Anna, da 1ª Vara do Júri, manteve a prisão preventiva de Willy, que está detido na Penitenciária José Parada Neto, em Guarulhos. Nesse caso, o réu permanecerá preso até o julgamento.

Os próximos passos da Justiça são, entre outras coisas, marcar uma data para a audiência de instrução no Fórum da Barra Funda, na Zona Oeste da capital paulista, onde testemunhas serão ouvidas e o acusado será interrogado. Somente após essa etapa é que a magistrada decidirá se submeterá Willy a júri popular.

O G1 não conseguiu localizar a defesa do acusado, nesta terça-feira (7), para comentar a decisão judicial.

Taco de beisebol

De acordo com a denúncia feita pela Promotoria, Willy matou Debora com golpes de taco na cabeça para que ela não o denunciasse por tê-la estuprado antes. Segundo o promotor Felipe Eduardo Levit Zilberman, a vítima não queria ter relações sexuais com o agressor.

“O acusado alega que não se lembra direito do crime, que se recorda de ter usado cocaína com Debora, de que eles discutiram e de que ele a golpeou com um taco de beisebol na cabeça”, disse Zilberman. “Sobre o estupro, porém, ele disse não se lembrar de ter cometido”.

Apesar disso, o MP informou ter laudos do Instituto Médico Legal (IML) que comprovam que Debora foi estuprada. Feminista, ela participava de manifestações para pedir punição a homens que cometicam crimes contra mulheres.

Além do estupro, Willy responde por homicídio doloso com quatro qualificadoras. As agravantes são o fato de, segundo a acusação, ele ter matado para assegurar a impunidade do crime sexual; o feminicídio; o meio cruel e o recurso que dificultou a defesa da vítima.

O feminicídio é uma qualificadora do crime de homicídio. “Ele ocorre quando é cometido contra uma mulher em menosprezo e com discriminação à condição feminina”, explicou Zilberman. Se Willy for condenado, a pena somada para os crimes pode ultrapassar 30 anos de prisão.

O promotor ainda aguarda o resultado do laudo toxicológico para saber se agressor e vítima consumiram cocaína. De qualquer maneira, Zilberman disse estar convencido de que Willy é reincidente em crimes contra mulheres.

Feminicídio

Segundo o MP, o gerente já era procurado da Justiça antes de ter matado Débora. “Em 20 de julho de 2009, ele estuprou e roubou uma outra mulher e foi condenado a 11 anos de prisão. Como respondia aos crimes em liberdade, foi expedido um mandado de prisão preventiva, mas ele nunca mais foi localizado”, disse o promotor.

De acordo com a Promotoria, enquanto esteve foragido, Willy cometeu mais outro crime. “Ele havia ameaçado a mãe do filho dele em 2015. Tanto é que a mulher entrou com medidas protetivas baseadas na Lei Maria da Penha, mas ele não era encontrado para ser ouvido”, falou Zilberman.

O último crime cometido por Willy ocorreu no final do ano passado, quando ficou sozinho com Débora no bar onde trabalhava como gerente. “Tudo isso mostra bem a personalidade dele de ódio ao gênero feminino”, enfatizou o promotor.

Após matar Débora, Willy fugiu para Ubaitaba, no sul da Bahia, onde foi preso em 23 de dezembro, após a Justiça decretar a prisão dele. Ele estava escondido na casa de familiares.

De acordo com a polícia baiana, ele confessou o assassinato de Débora. Alegou que a matou após os dois discutirem porque ela reclamou que a droga que usavam havia acabado e queria mais.

O crime

Segundo a acusação, na noite de 13 de dezembro, Willy havia ido com dois clientes do bar a uma casa noturna na Mooca para comemorar o aniversário de um deles. Lá, conheceram Débora e uma amiga dela.

A vítima, sua amiga e os três homens saíram da boate às 7h e foram até o bar “Sr. Boteco”, onde Willy trabalhava. Por ser primo do proprietário e morar nos fundos do bar, ele tinha a chave do estabelecimento.

Segundo as investigações, os cinco ficaram reunidos no interior do bar, sozinhos, já que as portas estavam fechadas, até as 9h30 do dia 14. Naquela hora, os amigos de Willy e a amiga de Débora foram embora.

O homicídio teria ocorrido quando os dois estavam a sós. Débora levou golpes de bastão e não resistiu aos ferimentos. Depois disso, Willy teria telefonado para o primo e contado que matou a jovem. Em seguida, fugiu. O local do crime não possui circuito interno de câmeras.

O primo procurou a Polícia Civil e levou os investigadores do 18º Distrito Policial (DP), Alto da Mooca, até o bar. Ao chegarem lá, encontraram o corpo da vítima. Ao lado de Débora, estava uma meia e um tênis de Willy manchados de sangue. Débora era feminista e evangélica. Ela deixou dois filhos pequenos.

g1

07/03/2017

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