Corregedoria da Justiça vai investigar por que crianças não foram afastadas de pai suspeito de morte

Corregedoria da Justiça vai investigar por que crianças não foram afastadas de pai suspeito de morte

A corregedoria do Tribunal de Justiça do Rio vai investigar a demora em julgar um pedido de medida protetiva feito há 19 dias, na 1ª Vara de Família da Barra da Tijuca, para manter as duas crianças mortas a facadas na madrugada do último domingo longe do pai. Cesar Antunes Junior, de 48 anos, é suspeito de ter assassinado os próprios filhos e depois se jogar do quinto andar do prédio onde morava, na Freguesia, Zona Oeste do Rio.

A solicitação foi feita pela advogada de Andreia Magalhães Castro Antunes, mãe das crianças, após Cesar ter agredido a ex-esposa no último dia 14. Além da medida, foi solicitada ainda busca e apreensão de Maria Nina Magalhães Castro Antunes, de 10 anos, que morava com o pai.

Andreia registrou a agressão na 16ª DP (Barra da Tijuca). Ela narrou aos policiais que foi trancada dentro da casa de Cesar, junto com as crianças, onde foi xingada e agredida. Na delegacia, ela disse que desejava ser amparada por medidas protetivas garantidas pela Lei Marinha da Penha. O pedido em relação à ela foi aceito pelo VII Juizado de Violência Doméstica. Para as crianças, no entanto, a advogada precisou entrar com pedido na Vara de Família, no processo do divórcio do casal. A advogada alegou que as crianças estavam em perigo, uma vez que as agressões contra Andreia aconteceram na presença delas, além de terem sido trancadas dentro de casa pelo pai.

O presidente do Tribunal de Justiça do Rio, desembargador Milton Fernandes de Souza, informou, pela assessoria de imprensa, que vai aguardar a apuração da corregedoria para se manifestar. Souza esteve no enterro das crianças, na tarde de ontem, no cemitério do Caju. Andreia é servidora do 2º Juizado Especial Cível da Barra da Tijuca.

O delegado Daniel Rosa, da Divisão de Homicídios da Capital, disse que está apurando se Cesar tentou atrair a ex-mulher para o apartamento dele com a intenção de matá-la. Amigos relataram que ele fez contato com Andreia, alegando que um dos filhos estaria doente. Ele queria que ela, que estava comemorando seu aniversário com amigos, fosse até a sua casa.

Cesar ainda teria mandado fotos das crianças mortas para a ex-mulher. O casal estava separado há um ano e dois meses.

No ano passado, a Justiça já havia decretado medidas protetivas, determinando que Cesar ficasse longe de Andreia. Isso ocorreu após ela ter denunciado o ex-marido por agressão, em abril. De acordo com registro de ocorrência feito na 16ª DP, Cesar deu um soco na mãe de seus filhos e no irmão dela. Foi a própria Andreia que pediu as medidas protetivas.

A solicitação foi retirada, no entanto, após Cesar exigir que isso ocorresse para que houvesse consenso no processo de divórcio de ambos, que só foi finalizado em janeiro deste ano.

Os filhos de Cesar, Maria Nina Magalhães Castro Antunes, de 10 anos, e Bernardo Magalhães Castro Antunes, de 6, foram encontrados por policiais militares no apartamento do pai, mortos a facadas. Na sala, os agentes apreenderam bilhetes que teriam sido escritos por Cesar com ofensas a sua ex-esposa, Andreia Magalhães Castro Antunes. A Divisão de Homicídios, que investiga o caso, suspeita que o crime tenha sido cometido por ciúmes de Cesar de Andreia.

“Andreia: cadê a poderosa? Não vai ficar com a guarda de nenhum dos dois e também não vai me colocar na cadeia!!! kkkkk”, dizia uma das sete cartas. As cartas foram encontradas por policiais do 18º BPM (Jacarepaguá), e foram encaminhados para a perícia por agentes da Delegacia de Homicídios (DH), que investiga o caso, para confirmar se a letra é de Cesar. Em todas as mensagens, há referências irônica ou pejorativas a ex-mulher.

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07/03/2017

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